Nigéria confirma caso de ebola ligado à África Oriental
Segundo bbc.com, a Nigéria confirmou um caso de ebola ligado à África Oriental, e a paciente está isolada em um hospital de Abuja.
imagem meramente ilustrativaLocal: Nigéria; Abuja
Nigéria confirma caso de ebola em paciente que chegou de Uganda
A Nigéria confirmou um caso de ebola em uma mulher que viajou de Uganda, na África Oriental, para Abuja, capital nigeriana. Segundo o ministro da Saúde, Muhammad Ali Pate, o diagnóstico foi confirmado por exames laboratoriais. A paciente foi internada em um hospital de Abuja, onde permanece isolada e recebe atendimento médico.
Fontes da área de saúde disseram à BBC que a mulher não é nigeriana e é esposa de um diplomata. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela apresentou sintomas na quarta-feira, 7 de outubro, quatro dias depois de chegar ao país. O texto não informa seu estado clínico atual.
As autoridades iniciaram o rastreamento de contatos para evitar novas transmissões e identificaram 44 pessoas que tiveram contato próximo com a paciente. A Nigéria é o primeiro país da África Ocidental a registrar um caso associado à atual crise de ebola na África Oriental.
Local de exposição segue sob investigação
O itinerário exato da paciente ainda não está esclarecido, e as autoridades de Uganda e da Nigéria apresentaram informações distintas sobre a possível origem da infecção. O Ministério da Saúde de Uganda afirmou que dados preliminares indicavam que ela havia passado pelo país sem sintomas.
Em comunicado publicado no X, o diretor-geral dos Serviços de Saúde de Uganda, Charles Olaro, disse que a mulher esteve no leste da República Democrática do Congo a negócios antes de transitar por Uganda no início de outubro. Segundo ele, os sintomas surgiram apenas depois da chegada à Nigéria.
Olaro ressaltou que o local de exposição continuava sob investigação e que o governo nigeriano ainda precisava fornecer informações detalhadas sobre o percurso e o histórico clínico da paciente para orientar as apurações e eventuais ações de rastreamento.
Pate confirmou que a mulher estava sem sintomas ao entrar na Nigéria, mas afirmou que ela não havia confirmado uma viagem à República Democrática do Congo. Em entrevista à emissora Nigerian Television Authority (NTA), na noite de terça-feira, o ministro apresentou como hipótese provável que a infecção tivesse sido adquirida em Uganda. Essa possibilidade não foi estabelecida como conclusão da investigação.
Os documentos de viagem da paciente serão usados para rastrear contatos. As autoridades pediram à população que colabore com os profissionais responsáveis por esse trabalho.
Uganda afirma não ter casos ativos confirmados
O Ministério da Saúde de Uganda enfatizou que, no momento da declaração, não havia casos ativos confirmados de ebola no país. A pasta orientou a população a manter a calma, permanecer atenta e adotar medidas regulares de lavagem e higienização das mãos.
Uganda havia registrado a doença pouco depois do anúncio do surto na República Democrática do Congo, com pelo menos duas mortes. Em agosto, o país declarou-se livre da doença após a alta de seu último paciente.
Surto regional soma milhares de mortes
Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, o surto na República Democrática do Congo, iniciado em maio, provocou pelo menos 4.600 mortes e teve mais de 9.500 casos registrados.
Esse surto foi causado pela espécie Bundibugyo do vírus ebola, considerada relativamente rara. A fonte informa que não há vacina nem tratamento aprovados para essa espécie, embora existam ensaios em andamento. O texto não especifica qual espécie foi identificada nos exames da paciente em Abuja.
A doença também se espalhou recentemente para o Quênia, que registrou pelo menos nove infecções. Na segunda-feira, os Estados Unidos elevaram o nível de seu alerta de viagem para o país e recomendaram que seus cidadãos reconsiderassem deslocamentos ao destino devido aos riscos à saúde.
Vigilância e orientações a viajantes na Nigéria
Desde o início do surto, a Nigéria reforçou a vigilância da doença. O Centro de Controle de Doenças da Nigéria emitiu orientações de saúde pública para viajantes e informou que pessoas provenientes de países com transmissão ativa ou relevante de ebola podem ser obrigadas a preencher uma declaração de saúde. Quem chega de outros países está, atualmente, dispensado dessa exigência.
A agência também recomendou que viajantes permaneçam atentos e procurem atendimento médico rapidamente caso desenvolvam sintomas de ebola.
A Nigéria já conseguiu interromper um surto da doença em 2014, quando foram registradas pelo menos oito mortes no país.
Transmissão e período de incubação
O ebola é uma doença viral rara, mas potencialmente fatal. A transmissão entre pessoas ocorre pelo contato com fluidos corporais infectados, como sangue ou vômito.
Com a progressão da doença, podem surgir vômitos e diarreia, e o quadro pode evoluir para falência de órgãos. Alguns pacientes apresentam sangramentos internos e externos, mas isso não ocorre em todos os casos.
O período de incubação varia de dois a 21 dias. Assim, uma pessoa exposta ao vírus pode permanecer sem sinais da doença por várias semanas, aspecto relevante para a investigação do percurso da paciente e de seus contatos.